Questão de Tempo
Por Diego Primo
Tenho me dedicado tanto aos meus projetos que - assim como vários outros esforçados por aí - mal tenho dormido. Ando bebendo mais café do que água.
Não vou dizer que não tenho tempo, eu tenho. Mas esse único tempo que me resta era para ser o meu descanso. Meu tempo está lá para eu usar e, se eu quiser, posso descansar. Ou não. A escolha é minha.
Só há uma coisa que a gente não escolhe: a posição que a vida nos coloca no grid de largada. Alguns largam na frente, outros não. Vira uma corrida contra o tempo. E sabe por que o tempo vence quase todos? Porque ele não para, vence pelo cansaço. Então eu não vou parar. Como no esporte, cada segundo ganho faz diferença. Aquela hora a mais que fico acordado, aqueles minutos em que nada faz sentido, dá sono, mas resisto. Aquele momento em que tudo passa a fazer sentido. Aquele segundo em que vem um estalo e consigo resolver mais uma equação. Venci mais uma batalha contra o tempo.
Mas e se, depois de tudo, a solução não vem?
No dia seguinte você tem duas escolhas: continuar na mesma pegada ou descansar. É você quem sabe. Isso não é autoajuda, meu chapa. Mas lembre-se que cada vez que você para, o tempo continua correndo.
"Ah, mas isso não é viver, blábláblá..."
Vivemos com o que temos, e eu quero mais. O mundo tem muito mais para me oferecer e, para conquistar o que eu quero, tenho que correr muito atrás, porque já perdi muito tempo e não nasci gênio. Mas adquiri uma certa inteligência para saber o que tenho que fazer.
É aquela história: só dá valor quando perde.
A vitória vem. Questão de tempo.


Gosto de trabalhar de madrugada, pois minha produtividade praticamente dobra, porque elimino distrações como telefones tocando, emails 'urgentes' para responder (aliás, já notaram como as pessoas consideram tudo urgente hoje em dia?) Consigo relaxar melhor, coloco uma rádio online para tocas, com algumas músicas mais tranquilas, consigo centrar meu foco nas tarefas e as executo na metade do tempo que levaria durante o dia. Ainda, alternadamente às rádios online, consigo até mesmo colocar um audiobook para tocar. Sim... como tenho um leve grau de dislexia, a leitura para mim é uma tarefa um tanto quanto penosa. Então, consigo assimilar melhor as informações audiovisuais. Um vídeo de treinamento, um podcasting. Etc. Até mesmo noticiários online (com a ajudinha do recurso de leitura falada do meu Mac) me traz as informações que eu dispenderia de mais tempo folheando um jornal ou fuçando nesses sites de notícias. Mas a que preço? Será que eu vou conseguir me condicionar a trabalhar nesses horários 'alternativos' pelo resto da minha vida? Será que não estou renunciando a uma vida dita 'normal' somente em nome da produtividade? Às vezes é o que me pergunto. Mas por enquanto, estou indo bem assim. Vamos ver até onde isso vai.
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