quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Agora sim: "Sexo e as Negas"





Na noite de ontem, 16 de setembro de 2014, devido a contratempos com a saúde não fui trabalhar no período noturno. Sendo assim, ao chegar em casa, sentar para jantar e interagir com a família, observei que naquela mesma noite estrearia a mais nova e polêmica série da TV Globo: "Sexo e as Negas". Li e ouvi vários comentários sobre a mesma a princípio devido ao título, mas como hoje pertenço ao nicho profissional radialista, e isso inclui televisão, preferi, antes de qualquer colocação, aproveitar a deixa para assistir e observar tal trabalho na eterna esperança, ou melhor, na boa vontade, de que realmente houvesse pelo menos vestígios do "Fantástico Mundo de Pelé" e de outros cidadãos que acreditam que vivemos num mundo justo e igualitário, e que as "Negas" seriam bem retratadas.
Antes, só gostaria de esclarecer que prefiro utilizar o termo “preto” quando me refiro aos negros. Conforme uma vez meu irmão Danilo Rincon Sapiência observou muito bem, muitos se revoltam quando alguém usa o termo “denegrir”, como se fosse uma forma de associar o negro ao negativo, mas se formos mais a fundo, no idioma português o qual adotamos, a palavra negro o qual fomos classificados já tem um sentido original negativo. Assim, penso que o problema não está no termo denegrir, mas sim no termo negro, então prefiro me classificar como preto, ok? Muito bem.
Agora vamos lá. Eis que começa o programa. Na verdade, não liguei a TV a tempo de assistir o primeiro bloco. Comecei a assistir a partir do segundo bloco, e mais uma vez, apesar da minha disposição, nenhuma surpresa: uma série onde personagens negras são retratadas em seu "devido lugar", e nos convencendo de que estar neste "devido lugar" é legal porque tem sexo e baile funk. É o máximo de que temos direito de conquistar, de onde temos o direito de estar, portanto, que permaneçamos neste lugar.
Tratando-se de dramaturgia, eu humildemente gosto de me espelhar nos que julgo competentes e absorver os bons exemplos. Assim, sempre faço um comparativo com produções norte-americanas com a temática preta e periférica, mesmo porque aqui há poucas referências, e as boas são independentes e pouco valorizadas na mídia. Comparando, percebo que lá quem dirige, e mais, quem escreve, são roteiristas e diretores com propriedade para falarem de determinado assunto. Pessoas que viveram nas ruas, sofreram ou presenciaram tais injúrias e se tornaram exemplos ao chegarem com respeito à TV ou a Hollywood, como Spike Lee, John Singleton, entre outros. No Brasil, o escritor/diretor que se diz interessado na causa preta simplesmente faz parte da estrutura social racista, porque mesmo “engajado”, ele tem uma empregada preta, uma babá preta, um jardineiro preto, uma cozinheira preta, um segurança preto dentro de casa. E o fato de ele gostar da comida da cozinheira, ou tratar a empregada "como se fosse da família", o faz pensar ter propriedade de falar sobre ser preto, ou conversar com o motorista sobre o bairro onde ele mora enquanto ele faz sua viagem de carro importado ao shopping center, à escola particular buscar seus filhos, ao cabeleireiro, o faz pensar que conhece a periferia/favela o suficiente. Resultado: personagens vazias como as vidas de luxo de seus respectivos criadores, onde, neste caso, o único valor é o sexual. Para eles não estudamos, não almejamos, não debatemos, apenas transamos e engravidamos nossas mulheres e fugimos. Sim, acontece, mas não é regra. E neste caso, para quem se diz solidário com a causa, é muito mais digno mostrar a luta da mulher guerreira que mesmo com dificuldades cuidam bem de seus filhos e família, como foram nossas mães, avós, e porque não, como são nossas irmãs.
Filmes como o ótimo "Boyz In The Hood" (Os Donos da Rua), do excelente John Singleton (roteiro e direção), mostram a dura realidade das ruas, mas mostram também a evolução do jovem Tré Styles (Cuba Gooding Jr.) dentro deste cenário, superando as dúvidas e más influências, assistido pelo pai Furious Styles (Laurence Fishburne), e contrariando as estatísticas, tanto o filho, jovem preto que se supera pelos estudos e suas escolhas diante as tentações, quanto o pai determinado que, alheio ao descaso de pais fujões, não desiste do filho até o fim. Os EUA também são uma sociedade racista, mas em prol do país, reconhecem o que a cultura, a moda, a música e toda essência afro-americana podem representar, influenciar, divulgar e valorizar o país. No Brasil, o preto é sempre relacionado ao negativo, à pobreza, à criminalidade, à servidão, ao sexo fácil, mas nunca à beleza, à competência, à luta, à superação, à história. E quando é conveniente algo da cultura preta para o país, eles embranquecem, “europizam”, descaracterizam o máximo em nome de uma igualdade que igualmente não existe quando o preto tenta compartilhar do conhecimento de qualidade, do reconhecimento profissional, e justamente, quando busca compartilhar do respeito à sua imagem como pertencente às virtudes do país. EUA: autoestima X Brasil: conformismo.
Voltando para nossa série, penso que quando se decide revolucionar uma causa importante através da arte, neste caso o drama, é óbvio que em determinados momentos se exponha cenas e diálogos de teor opressor, discriminatório, desde que haja um ponto de virada que se descredite a ofensa do antagonista com proezas ou grandes atitudes do protagonista. Ontem vi algumas cenas que me incomodaram. Numa delas, uma mulher rica, talvez patroa de uma das personagens, entrega uma pulseira valiosa para uma das “negas” guardar, alegando que sairia com um homem que não era o mesmo que lhe presenteara com o objeto, então não queria causar ciúmes. A garota num primeiro momento se recusa por não querer se responsabilizar por algo tão valioso. Eis que a mulher rica dispara: “no seu braço ninguém vai achar que é verdadeira”. A questão é que tal diálogo passou batido, como se tal mulher tivesse razão e direito de se referir de tal forma, ou como se fosse uma forma do escritor expor seus pensamentos e anseios disfarçados de “boa causa”, pois não houve virada que descreditasse o comentário e justificasse o contrário. Em outra cena, uma das protagonistas é atendente numa churrascaria, e um dos clientes faz um comentário malicioso dizendo que gosta de carne bem passada, quase preta. Como resposta, a menina chama um atendente homem  e preto para atender tal cliente. Resposta não tão espetacular, no máximo apropriada para o momento, mas as cenas seguintes de mulheres pretas simplesmente praticando sexo sem frescura reafirmam a insinuação do cliente: carne. Carne boa. Carne fácil. Carne barata. Bem diferente do retrato sexual da mulher bem sucedida independente de qualquer homem. O perfil das “Negas” sugere sexo com o “cara certo” como único caminho para o sucesso. Tanto que, na última cena a analisar, uma das meninas se gaba por ter transado com um vendedor de carros usados que a desrespeitara num outro momento (acho que foi no bloco que perdi. Mas machismo e autoestima zero) dentro de um carro de 15 mil reais como se fosse grande coisa. Qualquer carrinho 1.0 usado vale isso. Mais uma vez, como se fosse o máximo que ela fosse capaz de almejar. Como se qualquer homem com um carro mais ou menos neste valor conseguisse “arrastá-la” facilmente, inclusive o empresário da churrascaria que adora “carne preta bem passada”, e que dentro da fantasia imaginamos ter um carro que vale 5 vezes mais do que o leito de amor da última noite. E já que a mesma ainda não fizera questão de ser respeitada pelo vendedor de carros usados da quebrada, imagine por um empresário: a carne preta bem passada passa batido.
Enfim amigos, racismo na TV não vem de hoje. Não é só um problema com o Falabella, mas sim de todas as novelas e séries de TV que insistem em estereotipar o cidadão preto a limitadas imagens, e a descaracterizarem nossas histórias e personalidades até mesmo em produções religiosas que têm como temática cenários como Egito e Oriente Médio sem nenhum pudor. Isso sem falar no Messias, o que gera uma outra discussão.
O racismo é sim agredir, chamar de macaco, mas é também descaracterizar, desvalorizar, deslegitimar a importância preta, nos fazendo contentar com a exclusão, evitando e invertendo as responsabilidades quando levantamos discussões raciais, e o pior, fazendo nossa autoestima despencar ego a baixo, nos convencendo que “nosso lugar” é legal e o suficiente para sermos felizes. Panis e circus. E tal situação só melhorará quando os pretos tiverem presentes não só no operacional, mas sim na concepção, na gerência, na estrutura de nossas próprias histórias. Basta de nos mal representarem. Que sejamos representados por nós mesmos. Temos história, exemplos e capacidade suficiente para tal. E enquanto necessário questionaremos sim, cobraremos punições sim. E que paz jamais se confunda com vista grossa. E, sinceridade, como já disse o grande Opanijé: “Eles nos devem até a alma”.



Por Evandro Ambrosio

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Espero por um futuro mais negro

Espero por um futuro mais negro
Por Diego Primo




Daniel Alves, to fechado contigo, cara.


Mas essa campanha #SomosTodosMacacos trouxe à tona o tamanho da ignorância das pessoas. Estão compartilhando a frase como se fosse um apoio aos negros, quando, na verdade, é um apoio ao racismo. Quando chamam um negro de macaco, estão dizendo que o negro é um animal irracional que não evoluiu e é inferior. Pessoas compartilham sem sequer refletir o assunto. Estão compartilhando porque viram alguns famosos fazendo isso na mídia. Essa ignorância é o reflexo da baixa qualidade da educação que temos por aqui. É exatamente isso que eles querem de vocês: reproduzam cegamente o que eles mostram para vocês. Uma pessoa que para pra pensar, certamente não levanta essa bandeira de que somos todos macacos. Evoluímos. O racista sim, é uma regressão que, aliás, fica abaixo do macaco, porque nem o macaco é racista. 

Nas escolas, o que ensinam basicamente é: Europeu escravizou o negro. (ponto)

Meu chapa, leia sobre a luta dos negros, os movimentos, o que eles fizeram pela liberdade e como fizeram e fazem. É uma grande história que faz você evoluir como pessoa e, tenho certeza, se ensinado nas escolas, passariam a ver os negros com muito mais respeito e reduziria o racismo de forma significante. A cura do racismo é a educação. Ironicamente, na Europa acontece racismo com frequência. E já que dizem que os europeus estão à frente do nosso tempo e agem dessa forma, espero por um futuro mais negro.

terça-feira, 25 de março de 2014

Bem-vindo, outono.

Bem-vindo, outono.
Por Diego Primo




Sem aquele calor que as pessoas amam, sou o meio termo. Para falar a verdade, meu lado frio aparece mais. 
Normal, depois que o carnaval vai embora, dá uma esfriada mesmo. 
Sou igual o outono, acordo tranquilo, nem o Sol esquenta.  
As folhas secam, caem e o vento varre. Só para lembrar que o tempo passa para tudo e para todos, e que nada é insubstituível.
É o que marca o começo... ou o recomeço... ou até mesmo a continuação de um ciclo. Que seja.
Bem-vindo, outono.





quinta-feira, 20 de março de 2014

Questão de Tempo

Questão de Tempo
Por Diego Primo




Tenho me dedicado tanto aos meus projetos que - assim como vários outros esforçados por aí - mal tenho dormido. Ando bebendo mais café do que água. 
Não vou dizer que não tenho tempo, eu tenho. Mas esse único tempo que me resta era para ser o meu descanso. Meu tempo está lá para eu usar e, se eu quiser, posso descansar. Ou não. A escolha é minha.

Só há uma coisa que a gente não escolhe: a posição que a vida nos coloca no grid de largada. Alguns largam na frente, outros não. Vira uma corrida contra o tempo. E sabe por que o tempo vence quase todos? Porque ele não para, vence pelo cansaço. Então eu não vou parar. Como no esporte, cada segundo ganho faz diferença. Aquela hora a mais que fico acordado, aqueles minutos em que nada faz sentido, dá sono, mas resisto. Aquele momento em que tudo passa a fazer sentido. Aquele segundo em que vem um estalo e consigo resolver mais uma equação. Venci mais uma batalha contra o tempo. 
Mas e se, depois de tudo, a solução não vem? 
No dia seguinte você tem duas escolhas: continuar na mesma pegada ou descansar. É você quem sabe. Isso não é autoajuda, meu chapa. Mas lembre-se que cada vez que você para, o tempo continua correndo.

"Ah, mas isso não é viver, blábláblá..."

Vivemos com o que temos, e eu quero mais. O mundo tem muito mais para me oferecer e, para conquistar o que eu quero, tenho que correr muito atrás, porque já perdi muito tempo e não nasci gênio. Mas adquiri uma certa inteligência para saber o que tenho que fazer. 
É aquela história: só dá valor quando perde.

A vitória vem. Questão de tempo.




segunda-feira, 10 de março de 2014

Amor Vira-Lata.



Amor Vira-Lata
Por Diego Primo

Nosso amor é vira-lata, mistura de raças. Nasceu na rua e eu trouxe pra casa. É independente e consegue viver sem luxo. Conhece alguns truques: já se fingiu de morto, agora deita e rola, cheio de graça. Já fugiu do abrigo, andou perdido, mas é fiel e amigo e, no fim, volta para ficar comigo. Estamos juntos sem coleiras. Somos livres.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Deu Errado

Deu Errado

Por Diego Primo


A notícia: "Rebelião em São Luís do Maranhão acaba com 3 decapitações..." e tem o vídeo com as imagens!
Dia seguinte, a notícia que leio é que a "digníssima" governadora Roseana SARNEY - e aqui é outro ponto que não me desce: como essa mulher, esse sobrenome, continua com poderes por aqui? - escolherá as empresas que abastecerão as geladeiras de sua casa e de sua casa na praia. Dentre elas: 80 kg de lagosta fresca, uma tonelada de camarão, 8 sabores de sorvetes, 50 caixas e bombons, entre outras delícias. Papo de R$ 1 milhão de reais.


Cara, Deus não é perfeito e o ser humano deu errado. A unica evolução da história da humanidade foi tecnológica, os humanos são os mesmos selvagens do início dos tempos. A notícia de que tem um rapper como participante da próxima edição do Big Brother Brasil impressiona mais do que 3 decapitações. Ou impressiona mais do que 3 decapitações de presidiários nordestinos. Outro fato: Roseana Sarney. Meu chapa, depois de tudo que essa família já fez ao Maranhão e ao país, eu não aceito isso. Mas tudo acontece por um motivo, e a família Sarney sempre esteve por aqui por um motivo: interesse de outros. Depois de todo o estrago, só uma coisa explica isso, que é alguém ganhar com isso. Essa minoria de pessoas no poder, que não dão a mínima para seu povo, também é a prova de que o ser humano deu errado. Aliás, o povo também é prova disso, porque colocam eles no poder de novo a cada eleição. 
No resto do mundo, eles falam sobre paz, mas ninguém para de comprar, vender, e fabricar armas cada vez mais poderosas. Para que? Não disseram que queriam paz? Para que essas armas? É o instinto. O homem sabe que não dá para confiar no homem. Somos predadores. Mas não se enganem, ninguém vai jogar bomba nuclear e acabar com a raça humana porque se eles fizerem isso, não vão ter a quem explorar. Talvez se acharem "vida explorável" em Marte, então eles tomam o que der pra tomar daqui, explodem tudo, fazem uma queima de arquivo e vão para Marte. 
Diante da fome e das doenças que assombram a África, dos desastres nas Filipinas, Haiti e outros países, o Papa diz: "Vamos orar". O Vaticano, se quisesse, poderia acabar com a fome, reconstruir as Filipinas,  e muitas outras coisas, mas o que eles fazem? Rezam. Seu Francisco, não está funcionando. E você, que dá o dízimo para sua igreja - e não estou falando somente da católica - acha que seu dízimo vai para onde? Igreja é igual franquia. Você paga, o dono da igreja recebe, então ele paga o valor da franquia para a "chefia" e o que sobrar é dele. A chefia está rica, corrompendo pessoas em nome do poder e não está ajudando ninguém. Nem seu bairro muda, o mundo tampouco.
Antes da humanidade, acredito que a Terra era o Paraíso, com belas paisagens, riachos, mares, céu limpo, nuvens brancas. Depois que chegaram os humanos, talvez seja mais seguro viver no inferno rodeado de anjos, do que nesse Paraíso rodeado de humanos.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Está certo, mas não é justo.

Está certo, mas não é justo.

Por Diego Primo



Quando falamos sobre algo que mexe com a paixão das pessoas, elas perdem um pouco (ou muito) do seu lado racional. Antes de gostar do meu time, me apaixonei pelo futebol, e até hoje, a ordem é essa: antes do meu time, gosto de futebol.
O assunto que tem gerado grande repercussão por aqui é o Brasileirão 2013, que em campo apresentou um nível abaixo da média, mas isso é outro debate. O fato que tem revoltado a maioria das pessoas foi que o Fluminense - que terminou o campeonato na zona de rebaixamento - permaneceu na Série A do campeonato por conta de uma decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), que puniu a Portuguesa por ter utilizado um jogador irregular na ultima rodada do campeonato.
Aos leigos, antes de mais nada, vamos esclarecer uma coisa: está na regra que ao escalar um jogador de maneira irregular, o time perde 3 pontos + os pontos que ganhou no jogo (neste caso, a Portuguesa empatou com o Grêmio e ganhou um ponto no jogo). 
A Portuguesa foi notificada na 6ª feira que seu jogador havia sido suspenso e, mesmo assim, escalou o jogador no domingo. Na 2ª feira a Portuguesa foi denunciada pela CBF e, posteriormente, julgada e punida. A regra foi aplicada corretamente, não foi? Ponto.
Então por que a revolta? Por que esse "nojo" do Fluminense (que sequer foi a instituição que denunciou a Lusa)?
O Fluminense protagonizou no passado, casos de virada de mesa, mas não foi o único. Vários outros grandes clubes também protagonizaram casos parecidos. Dentre os vários, estão Grêmio, Botafogo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Bahia e outros, basta dar um Google.
Voltando para 2013, pergunto: que culpa tem o Fluminense do erro da Portuguesa? Essas pessoas que estão com "nojo" do Fluminense gostariam que o regulamento não fosse cumprido? Isso sim seria um tapetão! O problema é que isso aconteceu na ultima rodada, e a revolta dos torcedores vem da desconfiança do histórico do STJD e da CBF. Ninguém confia nessas instituições, por conta de suas maracutaias, e quem está sendo esculhambado é o Fluminense.
Concordo que, na bola, o Fluminense mereceu ser rebaixado. Teve um péssimo planejamento, trocou de treinador 3 vezes, perdeu os principais jogadores e não fez nada a respeito. Ok, também foi prejudicado pela Receita Federal, que penhorou bens do Fluminense por conta da dívida. O curioso é que só fizeram com o Fluminense. Mas o jogador da Portuguesa entrou aos 32 do segundo tempo de um jogo da ultima rodada que terminou em 0x0, e não alterou em nada o campeonato. Por outro lado, o STJD não está errado, o tribunal aplicou a regra. 

Conclusão: está certo, mas não é justo.

Quanto aos torcedores, gostaria de saber se quando acontece essas coisas, eles não se sentem babacas, por se matarem nos estádios por instituições que fazem parte de um mesmo circo. Futebol é entretenimento. Assisto pelas jogadas, táticas, viradas, polêmicas, e essa ultima quero dizer as clássicas: se a bola entrou ou não, se foi penalti ou não, se estava impedido ou não. Quem tem que dar a vida em campo é o jogador, não o torcedor.

Depois que fiz esse post, li um texto escrito pelo meu chapa Tomás Spirindelli Duarte em seu Facebook, gostei, e ele liberou pra eu postar aqui.

"De um lado é "A Lusa foi prejudicada, pobrezinha, blá blá blá", ou então "Flu é time pequeno, o meu Palmeiras/Atlético/Grêmio/Vasco(?)/time X caiu e subiu na raça mais de uma vez", é nego defendendo diretoria do SPFC, SCCP, Botafogo, Atlético-MG, Cruzeiro, Atlético-PR, misturando história de clube com gestão de pilantra, dando a entender que só o Fluminense é clube manchado

Do outro lado é "o que valeu foi a lei, a Lusa estava errada mesmo, o Flu não tem nada a ver com isso"...

Sinceramente, na minha opinião, qualquer torcedor de QUALQUER CLUBE GRANDE (e até médios e pequenos, na real, ou o Brasiliense de 2002 era um clube de pessoas honestas...?) não tem direito de falar de torcedor do Fluminense que comemora a permanência do clube na Série A... Torcer é ter emoção, paixão e amor. Ou a torcida do SCCP ficou triste com o título de 2005? E a construção da SuperfaturadArena Corinthians causa desgosto na imensa nação corintiana? Os torcedores do Botafogo realmente se revoltaram em 1999, né... Todos queriam que o SPFC ficasse com os pontos dos 6 a 1 no caso Sandro Hiroshi? Não, na verdade. E o Grêmio? Subiu mesmo na raça em 1992?? Ele e mais 11 times subiram numa "raça" danada... Quando o SPFC estava na zona de rebaixamente este ano, mesmo sabendo que, de maneira racional, uma queda para o time daria uma chacoalhada no cartel de Juvenal e poderia mudar alguma coisa lá dentro, qual torcedor do Tricolor torceu para cairmos??? NINGUÉM, PORRA. O mesmo vale para SEP em 2002 e ano passado. Enfim, entre casos de tapetão e má gestão ou corrupção por parte de diretores de um clube, qualquer torcedor fica a favor do seu clube. Cobram em CT, arquibancada, mas estão torcendo, sempre estão, sempre estamos, sempre estaremos, e o dia em que não estivermos TORCENDO, podem acabar com o futebol.

A treta disso tudo num é isso, e é aí que tô vendo uma pá de equívoco, inclusive por parte de jornalistas esportivos. O foco, o problema de tudo, não é "a Lusa ser prejudicada" ou "o Fluminense é o mais corrupto do Brasil". A Lusa se prejudica sozinha há anos, a diretoria de bigode e lápis na orelha só fode com sua fiel torcida há muitos anos. O Fluminense é só mais um entre os grandes (cariocas, especialmente) que é beneficiado por falcatruas ou pela máxima "a lei só vale para uns". O clube das Laranjeiras não é diretor da peça, é só ator bem pago pra trabalhar, assim como os outros grandes.

O futebol mundial tá chato pra caralho, e casos de corrupção e tapetão, além de treta sanguinária de torcida, também acontecem na Europa, e mídia esconde. Mas aqui é a casa da mãe Joana, assim como nos outros segmentos da sociedade.

Não vejo ninguém falando sobre esse Bom Senso (?) F.C e sua credibilidade. É fácil conseguir assinatura no bairro pra subprefeitura podar a árvore da pracinha, assim como é fácil juntar todos os jogadores de futebol do Campeonato Brasileiro pra pedir "mudanças no calendário" e "férias". Bom Senso F.C me parecia uma boa ideia, mas, pelo que vejo, é uma adaptação das manifestações de Junho para o futebol: vazio e genérico. Quero ver nego entrar com plaquinha contra a Globo ou "clubes boicotando o Fluminense".

O problema, o vírus chama-se CBF. O STJD é uma gripe que o futebol acabou contraindo e que tá prejudicando muito por conta da vulnerabilidade que esse vírus trouxe pro corpo do futebol.

A lei não pode valer apenas para uns, assim como muita lei no futebol também faz com que ele perca a graça.

Comparando esse caso ao problema do tráfico de drogas, seria tipo isso: A Lusa é o moleque que vende o pó na favela, o Fluminense é o milionário dono da plantação de coca na Bolívia e o STJD... Bom, ele é o poder Judiciário mesmo... O Flamengo seria o playboy que vende maconha na faculdade: no máximo toma um tapa na cara pra ficar esperto, mas pra cadeia num vai nem fodendo... O Vasco num pagou a propina pra Polícia Federal esse mês, então vai pra prisão domiciliar em 2014.

Até a Copa!

RIP Futebol Brasileiro"